As regras de jogos em primeira-pessoa estão mudando.
Videogames que envolvem o jogador em atos de guerra sempre prometeram uma coisa: cobertura. Durante tempos de extrema coação o jogador sempre teve a opção de recuar por detrás de uma parede ou objetos imóveis, a fim de escapar de seus inimigos. Battlefield: Bad Company, também promete isso, mas com algumas mudanças.
Em Bad Company não é no interior de uma casa ou um refúgio seguro que o jogador irá se esconder. Isso porque a maioria dos locais pode ser destruído com uma grande explosão de granada ou um lançador de foguete. Bad Company, embora não seja perfeito, nesse aspecto, ele muda a fórmula de sua jogabilidade de guerra baseada em primeira-pessoa o suficiente para justificar a atenção de muitos fãs do gênero.
A série Battlefield sempre foi feita para PC. Já Battlefield 2: Modern Combat foi o primeiro a dar um salto para os consoles durante o lançamento do Xbox e os primórdios do 360. Sendo assim, Bad Company não só representa a primeira história baseada em um jogo da série, mas é também o primeiro produto a utilizar o motor gráfico responsável por toda a destruição que falava há pouco.
Bad Company segue um enredo baseado no soldado Preston Marlow, um novo recruta para uma divisão do exército conhecida simplesmente como Bad Company, ou B-Company. É um grupo de soldados de elite, onde cada um tem sua própria personalidade e história. Embora as missões no âmbito da campanha comecem de forma fácil, bastando procurar e destruir os objetivos, as motivações da equipe assumem rapidamente seu papel dentro de toda a ação.
É interessante ver como a DICE trabalha em torno do clima politicamente carregado de hoje. Especialmente quando você considerar que o seu grupo de soldados é essencialmente abandonado pelos Estados Unidos. A guerra é intensa, mas os personagens em Bad Company estão constantemente fazendo brincadeiras um com o outro durante uma batalha. A comédia não se encaixa com o incrível nível de ação na tela. Mas, é claro que Battlefield: Bad Company não é necessariamente dramático como Call of Duty 4.
Uma novidade fica sobre o sistema de save do jogo. Quando você morre, como na maioria dos jogos single-player, você retorna para seu último checkpoint certo? Na maioria dos jogos sim, mas não em Bad Company. Em vez disso, você vai essencialmente reaparecendo de volta para o campo de batalha com qualquer dano que você possa ter causado em sua jogada anterior. Isso pode ser bom e ruim também, porque não permite que você utilize novas estratégias de combate.
Como citamos o motor gráfico muda de fato a forma de jogar, possibilitando se esconder por trás de paredes, o que já não é seguro para você ou seus inimigos. Eu perdi as contas de quantas vezes meu nível de saúde me obrigou a recuar, só pelo fato de ter as paredes retalhadas por um ataque de tanque inimigo.
Não há dúvida de que a destruição não teria um impacto profundo sem o motor gráfico. Bad Company graficamente não é uma obra prima, mas o lançamento de uma granada na parede causa escombros e fumaça de encher os olhos. A DICE também fez um bom trabalho de colocação de explosivos em abundância em barris, grades e tanques de gasolina à volta do cenário, que numa situação de emergência vai muito bem.
No entanto, as imagens apresentam alguns problemas. A falta de sincronia vertical mostra alguns problemas com muita freqüência, especialmente no primeiro nível. Já os efeitos de áudio são os melhores que eu já ouvi, e Bad Company torna-se mais um tratamento para os ouvidos do que para os olhos. A High Dynamic Range Audio (Áudio HDR) gera diferentes efeitos de áudio para tiros, explosões e praticamente todos os outros efeitos sonoros que você pode imaginar. O diálogo é um pouco extravagante, mas é bem feito.
Um grande problema é que o jogo não pode ser jogado cooperativamente. Nos dias de hoje é indesculpável um jogo nesse porte não ter opção cooperativa, já que isso poderia acrescentar muito mais interatividade na jogatina singleplayer.
Felizmente, onde o modo singleplayer tropeça, o multiplayer brilha. A franquia Battlefield é mais conhecida por seus jogos on-line do que pelo seu desempenho solo e Bad Company não é diferente. Vinte e quatro jogadores podem juntar-se nos oito mapas, cada veículo com diferentes posicionamentos e estratégias necessárias para ser bem sucedida. Os jogadores podem escolher entre cinco classes bem equilibradas, contendo cada um o seu próprio conjunto de armamentos e ferramentas.
Ao contrário do jogo solo, onde você encontrará várias armas espalhadas por todo o campo de batalha, o multiplayer em Bad Company oferece características progressivas para desbloquear um sistema de experiência com seus pontos. O injetor de saúde, um item disponível no jogo que se inicia com Marlow, precisa ser desbloqueado no multiplayer. O mesmo se pode dizer para morteiros e mísseis, bem como uma série de outros equipamentos.
Os veículos são outro ponto forte da franquia que faz um retorno triunfal em Bad Company. Hummers, barcos, buggies, helicópteros, tanques e outros modos de transporte podem ser usados tanto no singleplayer ou com outras pessoas. Os veículos trabalham fantasticamente bem quando batem com as pessoas on-line, mas usá-los no modo solo pode deixar um pouco a desejar.
Os jogadores controlados por computador seguem um caminho similar no que diz respeito à sua inteligência. Existem momentos em que eles estarão perdidos em sua presença, isso pode ser meio chato às vezes para uns e um bom motivo para outros jogadores partirem para o abate.
Battlefield: Bad Company é um ótimo complemento para a série de longa data, não para o fato de que ele deixa o PC nos confins do mundo. O enredo acrescentou mais profundidade para o ex-superficial modo singleplayer, não bastasse o fato de a dramatização ser levemente comparada ao que temos visto em Call of Duty 4. Mas sempre o que brilha é verdadeiramente o modo multiplayer e sua tecnologia gráfica que impulsiona o jogo.